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Junho/2002
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Economia
Emoção é arma cada vez mais necessária para atrair o cliente .
Por Daniela Nogueira
Os pontos
comerciais estão cada vez mais tendo que gerar algum tipo de
experiência para envolver o cliente e fazê-lo permanecer mais tempo em
uma loja. Por isso, uma das tendências do varejo será apelar para a
emoção, de acordo com a sócia diretora da consultoria Gouvêa de Souza
& MD, Beth Furtado. Segundo ela, cores, cheiros, novos espaços e
som ambiente são elementos que estão começando a ser utilizados pelo
varejo.
Apesar
desse tipo de experiência ainda ser recente no País e muito utilizada
nos Estados Unidos e Europa, o presidente da consultoria Point of
Purchase Adversiting Internacional (Popai), Cláudio Migliano, adverte
que estas artimanhas podem ajudar a elevar o faturamento do comércio em
até 20%, quando levados a sério.
"Isso é
possível porque quanto mais o varejo instiga, interage e seduz o
cliente, com certeza ele vai consumir mais", diz. Migliano lembra que
uma das primeiras empresas a praticar o "varejo emoção", foi a
Riachuelo, que desenvolveu um cheiro próprio para as lojas. "O Pão de
Açúcar também vem se preocupando neste aspecto e acabou criando uma
rotisserie que chama a atenção do consumidor pela presença de um chefe
de cozinha próprio", diz.
De acordo
com a sócia-proprietária, uma das primeiras empresas a obter resultados
em vendas com a emoção foi a O Boticário. "O ponto de venda foi
completamente modificado, e o consumidor passou a ter mais liberdade do
consumidor circular e escolher produtos. Com esta estratégia a empresa
obteve um crescimento acima de 25%", diz Beth.
Para
Migliano, o varejo deve ser considerado uma extensão do entretenimento
do consumidor. "É importante gerar conforto e prazer em um ponto de
venda. Para isso, o varejista precisa dominar mais de 20 funções, entre
a arquitetura, engenharia, economia, pesquisa, história e diplomacia",
diz.
Segundo o
presidente da Popai, isso é necessário porque cerca de 85% das decisões
de compra do brasileiro são realizadas no ponto de venda. Segundo Beth
Furtado, para isso o comércio deve seguir duas recomendações: adaptar a
loja de acordo com o perfil do consumidor que está atendendo,
respeitando suas características, e também tentar cativar o cliente com
uma comunicação visual eficiente na loja.
"Um
exemplo é evitar colocar produtos em locais que gere desconforto para o
cliente, como o que geralmente acontece em uma livraria. O consumidor
possui características físicas próprias que devem ser respeitadas".
Após respeitar exemplos como este, a sócia-diretora explica que o
comércio já estará pronto para investir na emoção. A Gouvêa de Souza
& MD vai discutir o assunto nesta terça-feira em um evento em São
Paulo.
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