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Junho/2002
REVISTA RETAIL
MARKETING
No Ar
Empresas começam a investir no uso de aromas para melhorar a
associação de marcas e estimular o consumidor a comprar.
Ao
entrar em uma loja, o consumidor não é envolvido apenas pelo visual da
loja ou pela forma de organização dos produtos. Desde o início, todos
os sentidos contribuem para atrair o cliente ou expulsa-lo. Tato,
olfato, visão, audição e, em muitos casos até mesmo o paladar, definem
se a experiência de compra será inesquecível ou indesejável.
Se a visão
foi o primeiro sentido a ser explorado pelos varejistas para
impulsionar as vendas, com o tempo começou-se a perceber que a audição
também representava um importante papel. O consumidor age
involuntariamente no ritmo da música, razão pela qual nenhum
supermercadista se atreve a colocar um rock nos alto-falantes. Quanto
mais tempo o cliente permanecer na loja, melhor.
A próxima
fronteira nessa evolução vem sendo explorada há tempos pelo varejo de
perfumes, mas é muitas vezes ignorada por outros segmentos. Em
perfumarias, o consumidor é agarrado pelo nariz. Entretanto, em todo
lugar o aroma representa um importante papel. Embora seja normalmente
deixado em segundo plano, o olfato pode ser um grande aliado do varejo.
Assim como o cérebro grava a imagem de uma letra "M" amarela ou de uma
garrafa cheia de curvas e associa esses ícones a Mc Donald's e
Coca-Cola, respectivamente, ele também registra os odores dos lugares
por onde o consumidor passa. Uma experiência de compra, boa ou ruim, é
reforçada pelo aroma da loja. Mesmo que involuntariamente, aquele aroma
será associado a uma empresa, reforçando sua marca.
"A vantagem
de usar perfumes é que o vínculo estabelecido dessa forma dura muito
mais tempo que aquele desenvolvido, a partir de um estímulo visual ou
auditivo", comenta Paulo Kim, gerente comercial da Biomist, empresa
coreana especializada em aromatização de ambientes."No varejo, nosso
objetivo é criar um aroma característico para cada loja, de modo a
fixar a marca como diferenciada", afirma.
A Biomist
está no Brasil há dois anos e oferece 28 diferentes tipos de
fragrâncias, com aromas de flores, plantas, frutas e perfumes famosos.
A empresa também desenvolve fragrâncias exclusivas. Nas lojas que
utilizam o sistema, aparelhos instalados nas paredes lançam, em
intervalos regulares, uma quantidade do aroma no ar. "Recomendamos o
uso de um vaporizador a cada 50 metros quadrados, no máximo", diz
Kim...A Biomist conta com mais de dois mil clientes no Brasil e espera
dobrar esse número em 2002. Entretanto, na maior parte dos casos, a
escolha das fragrâncias não é muito científica. "Normalmente, as
pessoas simplesmente escolhem uma fragrância que gostaram", comenta.
Segundo ele, o ideal seria definir o público-alvo da loja e estudar o
aroma mais adequado a esse segmento de mercado.
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