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Setembro/2004
REVISTA
SEU SUCESSO
Empreendedor
A
diferença está no ar
Com o objetivo de estimular o cliente a comprar, algumas lojas
recorrem a um aliado invisível: aromas especiais borrifados na loja. É
o chamado marketing olfativo
Por Luciane
Crippa
Imagine
entrar numa loja de carros off-road e sentir um cheiro de terra molhada
ou visitar um pet shop e inspirar um cheirinho de bebê. Agora pare tudo
e procure se lembrar: será que isso já não aconteceu, de verdade, com
você? É bem provável que sim.
O marketing
olfativo é uma estratégia que já é realidade em muitas empresas,
inclusive concessionárias e pet shops. Não é exatamente uma novidade:
desde os anos 90, empresas americanas e européias usam a mesma tática.
No Brasil, ela chegou há cerca de cinco anos. Basicamente, a idéia é
pulverizar um aroma no ar que tenha relação com o produto, serviço ou
marca da empresa. No pet shop, por exemplo, o cheiro de bebê se explica
porque muitos donos de cães e gatos tratam os bichinhos como filhos.
"Alguns dos objetivos dessa prática são causar uma boa impressão no
cliente, reforçar a marca e aumentar o desejo de permanência no local",
explica Cristina Carnélos, assistente de marketing da Biomist Aromasys
Ltda., empresa pertencente a um grupo coreano que chegou ao País em
2000 e que disponibiliza cerca de 42 aromas a seus clientes, além de
fragrâncias exclusivas.
Os aromas
costumam ser utilizados no ponto-de-venda, mas Cristina conta que a
Biomist já aromatizou ambientes esportivos, fábricas, escritórios,
entre outros. Do outro lado do balcão, a idéia de quem compra esse tipo
de serviço é mais direta. "Há uma relação entre estímulo aromático e
vendas", explica Rafael Deieno Junior, sócio da rede de lojas de
lingerie Casa das Calcinhas. O aroma no negócio de Rafael, está em fase
de testes. "Aromatizei 20 lojas", diz - a rede tem 35 unidades. Por
enquanto, ele conta que a maioria dos clientes gosta, mas ainda não
conseguiu histórico para medir os resultados.
"Nosso
objetivo com a aromatização é tornar o ambiente agradável para o
cliente", diz Carmen Campos, supervisora da Babylandia, rede de lojas
de decoração infantil. Carmen perfumou oito lojas da rede com cheirinho
de bebê, há oito meses. "Não tivemos impacto nas vendas, mas os
clientes sentem-se bem e satisfeitos com o aroma e, para nós, é o que
importa", diz.
Há cerca de
oito anos, a Morana, rede de acessórios femininos, faz uso do marketing
olfativo em suas lojas. "Começamos com os aromas logo após a
inauguração da primeira unidade", diz Eduardo Ohara Morita, diretor de
marketing e expansão da rede. Hoje, todas as 22 lojas em funcionamento
já dispõem da fragrância.
"A idéia é
explorar possibilidades sensórias para que o cliente associe a marca a
uma lembrança boa", diz ele, que também utiliza uma sonorização
exclusiva nos estabelecimentos.
Morita diz
que é difícil medir o resultado do marketing olfativo isoladamente
porque tudo, da decoração da loja ao atendimento, influencia. "É
possível perceber que a consumidora se sente bem, o que pode justificar
uma maior permanência na loja", diz. Nos próximos meses, ele pretende
utilizar um aroma exclusivo para a Morana.
Em geral,
são essas as idéias de quem opta por aromatizar o negócio: aumentar as
vendas, cativar o cliente ou se diferenciar da concorrência.
Normalmente, quando chega a investir no aroma, o empresário já
trabalhou outros aspectos, como a qualidade do atendimento, o layout da
loja, a música ambiente etc. "O perfume é um complemento", diz
Cristina, para explicar como o marketing olfativo interage no negócio.
É mais ou menos como as velas num jantar romântico. Claro que os pratos
têm que ser saborosos e a bebida, marcante, mas, no final das contas,
as velas são o toque que faz a diferença.
EXPERIÊNCIA PARA O CLIENTE
O marketing
olfativo é mais eficiente para determinados tipos de produto. Não se
explica muito bem, por exemplo, a alimentos. "Nesses casos, o perigo de
rejeição, que é o pior que pode acontecer, é grande", aponta Ronald
Peach Junior, presidente da Popai Brasil, entidade internacional
especializadas em estudos de merchandising no ponto-de-venda.
Quando bem
aplicado, diz Ronald, o resultado é transformar uma simples compra numa
experiência marcante para o consumidor. "E essa é a melhor maneira de
envolver o cliente e aumentar a possibilidade de venda", completa.
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