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Agosto/2003
REVISTA MARKETING
Aroma do Prazer
Estratégia de marketing olfativo eleva receita do varejo.
Por Rosália do Vale
Os consumidores
estão mais interessados em produtos e serviços que valorizem seu bem-estar
e sentidos, inclusive o olfativo. "Especialmente , fragrâncias agradáveis
e ao mesmo tempo revitalizem o cliente ou ajudem a relaxar", diz a diretora-executiva
do The Sense of Smell Institute (Instituto do Sentido Olfativo), de
Nova York, Thereza Molnar.
Nos Estados Unidos,
a estratégia "venda pelo cheiro" (sell with smell) é uma realidade.
Numa loja de peças íntimas, por exemplo, calcinhas aromatizadas venderam
muito mais rapidamente que as sem perfume. A
pesar deste tipo
de experiência ser recente no Brasil, o Point of Purchase Advertising
International (Popai), entidade que investiga mundialmente tudo o que
se refere a ponto-de-venda, alerta que ações de marketing olfativo podem
ajudara elevar o faturamento do varejo em pelo menos 20%. Sabendo disso,
a Biomist Aromasys, especializada no desenvolvimento de fragrâncias
para ambientes da loja mais agradável, estimulando a permanência do
cliente. "Assim, a probabilidade de compra é maior, sem contar que o
cliente volta. Ele sempre vai lembrar daquela loja ao sentir o mesmo
aroma", explica o diretor da empresa, Luciano Manoel da Silva Pereira.
A meta de unir o
perfume à loja, ao produto que ela vende ou a uma marca fez com que
a Biomist tivesse 25% de aumento na procura de seus serviço no ano passado.
"O setor de confecções é o nosso maior comprador, seguido da área de
eventos".
Entre os clientes
da corporação, as lojas de conveniência Select, pertencente à Shell,
apostam em ganhar a clientela pelo "nariz". Dos 230 estabelecimentos
espalhado pelo Brasil, a rede experimenta a aromatização em dez. "Utilizamos
as fragrâncias de pão e café, por exemplo, para estimular o apetite
dos clientes. Em datas comemorativas, como a Páscoa, usamos do artifício
do aroma de chocolate para potencializar a venda de ovos", comenta o
gerente de marketing, Marcelo Manna.
Também o Pet Shop
The Dog Bakery - que reúne serviços veterinários, loja e primeira padaria
para cães e gatos do país - tem empregado essa artimanha com duas finalidades:
eliminar o odor dos animais e conferir ao ambiente uma sensação terna.
"Além dos aromatizadores no setor do hospital e da loja, o perfume natural
da fornada de biscoitos é muito elogiado pelos donos dos animais", ressalta
o diretor de marketing da empresa, localizada em São Paulo, Raphael
Pagotto.
Os cheiros podem
ser efetivos em termos de mudanças de comportamento porque influenciam
a área cerebral mais primitiva, o sistema límbico, causando reações
inconscientes de ordem fisiológica e psicológica. "Lidamos com o eixo
das emoções do consumidor", afirma Vanice Zanoni, sócia-diretora da
Croma Micro-encapsulados, de São Paulo. Para a empresa, que produz os
mais variados aromas em cápsulas e tem o crescimento médio de 30% ao
ano, escapar ao cheiro, parente da respiração, é impossível. "Pode-se
fechar os olhos, tapar os olhos e até recusar ao toque ou ao paladar,
mas não ao estímulo olfativo", ressalta Vanice.
A diferença entre
o marketing olfativo e o tradicional, com o audiovisual predominante,
começa no briefing do cliente. "Para nós, não é interessante saber o
poder de consumo do público-alvo, mas quando nasceu, onde mora e assim
por diante", explica o sócio-diretor da Croma, Eduardo Caritá. Segundo
ele, o aroma só é eficaz se fizer sentido para os consumidores, evocar
lembranças e despertar sentimentos.
Para a sócia-diretora
da Ornare (rede de lojas de armários e estantes sob medida), Esther
Schattan, é preciso, acima de tudo, "mimar" os clientes. Por essa razão,
ela contratou uma consultoria de marketing olfativo para personalizar
sua marca através do cheiro. "Os clientes pediam para levar um pouquinho
do perfume para casa. Daí, tivemos a idéia de produzir em torno de 20
mil brindes com a essência para presenteá-los".
"O custo-benefício
para o lojista que contrata esse tipo de serviço é interessante. Enquanto
se paga R$ 30 mil por publicidade numa revista mensal, por exemplo,
a mesma quantia vale por um ano de aromatização", afirma o diretor técnico
da World's Natural Fragrancies, Fernando Amaral. Além dos ambientes,
o cheiro pode ser incluído na logomarca da empresa, em forma de adesivo
para a distribuição de impressos em geral. De acordo com o diretor-comercial
da gráfica Pancrom, Adilson Roberto da Silva, os impressos que utilizam
aromas representam 5% do volume de negócios da empresa. "Se não fosse
a retração da economia, certamente a procura por esse tipo de serviço
seria maior".
Até mesmo em lápis
promocionais é possível incluir aromas. A novidade foi lançada pela
Faber-Castell durante a feira Brazil Promotion, realizada em São Paulo
neste mês. Tratam-se de lápis personalizados com cheiros de flores ou
de frutas, produzidos sob encomenda por empresas que desejam distribuí-los
para divulgar seu produto/serviço. É possível também utilizar aromas
fornecidos pelo cliente, que podem ser iguais ao cheiro do produto a
ser divulgado. O objetivo é que os consumidores se lembrem da marca
visualmente, através da logomarca impressa no lápis, e também pelo olfato
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