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Abr/2007
DIÁRIO DO COMÉRCIO
AROMAS QUE CONVENCEM O CLIENTE
Silvia Pimentel
Seduzir pelo cheiro. Essa é uma das estratégias que muitas
empresas vêm adotando, inclusive as pequenas, para atrair e fidelizar o
consumidor. A tática consiste em associar um produto ou serviço a uma
fragrância. As formas de sedução vão desde a publicação de anúncios
perfumados em jornais, cartões de visita ou catálogos que exalam cheiro
até a aromatização de ambientes, com odores desenvolvidos sob medida.
Tudo para impressionar o cliente.
Engana-se quem pensa que o marketing olfativo é coisa de empresa
grande. De acordo com Rubens Valentim, do Departamento de marketing da
Biomist, que desenvolve e fornece fragrâncias, até consultórios
dentários integram sua lista de clientes, embora sejam as grifes e
grandes marcas os principais interessados. "Acaba sendo uma estratégia
de vendas, pois o cheiro agradável leva o cliente a ficar mais tempo no
local", diz.
As lojas de roupa feminina Cheroy e Insp, de um mesmo dono, que vendem
no atacado no Bom Retiro, estão entre as que pretendem fisgar o cliente
pelo nariz, ou simplesmente oferecer uma experiência cheirosa a um
custo razoável. A cada 20 dias, desembolsam R$ 273 na manutenção de
sete aparelhos eletrônicos da Biomist, instalados nas dependências das
lojas, que borrifam a fragrância no ar em intervalos de 15 segundos.
De acordo com a gerente de vendas da Cheroy, Hosana Lima, a loja foi
uma das pioneiras na região a usar a estratégia, que foi seguida por
outros estabelecimentos ao redor. "O cliente se sente bem, fica mais
tempo dentro da loja", diz a gerente. O odor agradável chama tanto a
atenção que pessoas de outros estados seguiram os passos da empresa,
aromatizando as lojas.
No mercado desde 1990, a Biomist possui mais de 800 clientes no Brasil
e em Portugal e comercializa cerca de 40 tipos de fragrâncias já
prontas. Também cria logo olfativo, que é uma fragrância desenvolvida
de forma exclusiva, que pode ser sentida em cartões de visita,
catálogos de produtos e no interior da loja. Em geral, o serviço é
procurado pelas empresas maiores por conta do custo, que pode chegar a
cerca de R$ 4 mil. Em sua lista de clientes estão, por exemplo, Bayard,
Kopenhagen, Chilli Beans, Vila Romana, Morana, Dumont, Skala e o Banco
Santander.
Outra empresa que prospera no mercado de odores é a Quórum, que atua na
área desde 1995, e está localizada em Charqueada, a 25 quilômetros de
Piracicaba. Em sua carteira de clientes, com mais de 600 nomes, constam
o Shopping Iguatemi, Le Lis Blanc, Amor aos Pedaços e Água de Cheiro.
"O marketing olfativo, assim como as outras vertentes do marketing
sensorial (tato, paladar, visão e audição), é uma excelente ferramenta
para proporcionar envolvimento e uma agradável experiência ao
consumidor", diz o assistente de marketing da empresa, André Viviani
Zanelatto.
Estudos – O diretor da Atelier de Marketing e professor de MBA da
Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), Giancarlo Greco, explica que
essa forma diferenciada, e cheirosa, de se aproximar do cliente é
resultado das descobertas da neurociência sobre o comportamento humano.
Os médicos conseguiram desvendar que, entre todos os sentidos, o olfato
é um dos mais poderosos. Ou seja, é o que fica melhor gravado na
memória das pessoas.
Daí até associá-lo a um produto ou serviço, emocionando o consumidor,
foi um pulo. "Antes, as decisões eram tomadas com base nas pesquisas de
mercado, que nem sempre trazem respostas confiáveis", afirma. O
consultor diz que o uso da aromatização começou no final dos anos 1990
e está em franca expansão no País.
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