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Out/2007
RÁDIO NOVA CIDADE - PORTUGAL
MARKETING: SEDUZIR OS CONSUMIDORES PELO CHEIRO
Susana oliveira, agência Lusa
Lisboa, 13 Out (Lusa) - Sentir o aroma a flores nas salas de
embarque do aeroporto para ajudar a esquecer o atraso do avião ou o
cheiro a praia na agência de viagens quando se programam as férias são
algumas das apostas do marketing olfactivo para seduzir os
consumidores.
Especialista na criação de fragrâncias para vários pontos de venda,
hotéis e outros espaços, a empresa brasileira BioMist oferece as mais
originais opções.
A técnica, que segundo diversos estudos pode aumentar a venda de
determinados produtos, se for usada a fragrância certa, pode ser
utilizada em lojas - alguns espaços de venda de doces usam o aroma
chocolate -, concessionários de automóvel, usando o cheiro a terra
molhada para que quem gosta de veículos todo-o-terreno se sinta no
campo, e em clínicas, para acabar como o chamado "cheiro a hospital".
Outra das opções são as salas de conferências e escolas, onde o uso de
determinados aromas podem ajudar a aumentar o nível de concentração.
O conceito atraiu até a cadeia de hotéis Sofitel, que em cada cidade
brasileira onde tem hotéis usa nos seus espaços fragrâncias adaptadas à
decoração ou ao local.
Por exemplo, no Rio de Janeiro, os responsáveis de marketing do grupo
chegaram à conclusão que 85 por cento dos clientes eram estrangeiros
que chegavam cansados devido ao efeito "jetlag" e decidiram aromatizar
o átrio com fragrâncias de limão e verbena para ajudar os clientes a
relaxar a aliviar o desconforto físico.
No mercado desde 1990, a Biomist, empresa brasileira especializada na
criação de fragrâncias para os mais diversos espaços públicos, tem mais
de 800 clientes no Brasil e em Portugal e comercializa cerca de 40
tipos de fragrâncias já prontas.
Também cria "logos olfactivos", uma fragrância desenvolvida de forma
exclusiva, a pedido do cliente, e pode ser sentida em cartões de
visita, catálogos de produtos e no interior da loja.
O olfacto ajuda a identificar coisas boas e más. Uma maçã vermelha, por
exemplo, pode parecer boa, mas o seu cheiro poderá indicar que está
estragada.
Apesar de parecer o nosso sentido menos desenvolvida, podemos sentir 10
mil cheiros diferentes, ao passo que o paladar, considerado muito mais
desenvolvido, pode avaliar somente quatro gostos diferentes: doce,
salgado, azedo, amargo.
O marketing olfactivo é cada vez mais usado em países do mercado
europeu, nos Estados Unidos, Brasil e nalguns países asiáticos como o
Japão e Coreia.
Estas regiões foram precursoras de estudos e pesquisas com fragrâncias
e registaram resultados surpreendentes, o que incentivou a sua
utilização como recurso de atracção e fidelização de público.
Diversos estudos feitos nos Estados Unidos demonstraram que o
comportamento das pessoas em relação aos produtos aromatizados é mais
favorável do que aqueles relativos aos produtos sem fragrância.
Nas suas experiências com o uso de fragrância em pontos de venda, a
Smell & Taste, em Chicago, conseguiu aumentar em mais de 50 por
cento o volume de apostas feitas em casinos, em 25 por cento as vendas
de sapatos e em 12 por cento o consumo de limonada em cadeias
norte-americanas de "fast-food".
Numa outra experiência comparou o efeito da aromatização de espaços com
a utilização da música e concluiu que enquanto a música pode aumentar
em quatro por cento as vendas, os cheiros podem fazê-las subir até 18
por cento.
Quando o cheiro de pão quente foi espalhado num supermercado, provou-se
igualmente que as vendas da padaria disparam.
Há até administradores de cinemas nos Estados Unidos que libertam nas
condutas de ar aroma de pipocas para estimular os espectadores à compra.
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