|
Setembro/2002
REVISTA DIRIGENTE LOJISTA
Marketing
Marketing dos sentidos.
Por Debora Sanches
Ir além apenas do estímulo visual, criando ambientes que explorem a
audição, o olfato e até mesmo o tato dos clientes, pode trazer
excelentes resultados nas vendas
É através
da voz que o feirante comunica seus preços e chama o consumidor para
uma visita à sua barraca. Os olhos do cliente fazem um passeio pelo
local avaliando a disposição, a limpeza e a qualidade dos produtos.
Estes são rigorosamente analisados pelas mãos que vão sentir o peso e
as condições de maturação e conservação do alimento. Dependendo do que
está sendo vendido, o olfato entra em cena para poder ajudar o freguês
a obter o maior número de informações a respeito do que está comprando.
O feirante ainda pode lançar mão de um último recurso e oferecer uma
porção de seus produto para degustação na tentativa de convencer da
qualidade do que vende. Este processo se repete milhares de vezes por
dias nas feiras livres de todo o Brasil. Mas o fato mais interessante
deste mecanismo, e que se aplica a toda atividade varejista, pode
passar despercebido: somos completamente influenciados pelos nossos
sentidos na hora de decidir o que comprar.
Quase a
totalidade dos apelos de venda faz uso da visão como o principal
sentido explorado pelas estratégias de marketing. Essa preferência se
justifica pelo fato de que mais de 70% de nossa percepção do mundo está
baseada na visão. Não é a toa que o cuidado com a escolha das cores, da
iluminação e a disposição das prateleiras e displays são decisivos para
conquistar o cliente. A primeira avaliação da loja é feita pelo olhar,
e ele é determinante na hora de decidir o que comprar. Entretanto, o
ser humano possui outros quatro sentidos que até recentemente estavam à
margem dos planos de venda, e tão eficiente como chamar o cliente
através dos olhos é conquistá-lo pela audição, pelo tato, pelo olfato e
pelo paladar. A empresa Point of Purchase Advertising Institute (Popai
Brasil) realizou um estudo inédito no país sobre o comportamento do
consumidor brasileiro no ponto-de-venda e constatou um dado muito
interessante: aproximadamente 85% das decisões de compra são feitas na
loja, o mais alto índice entre os países pesquisados. Isso quer dizer
que por mais que tente decidir previamente o que vai comprar, o cliente
vai resolver o que levar quando estiver dentro do estabelecimento
comercial. Adotar táticas para estimular os sentidos é uma maneira
inteligente de induzir ao consumo e, levando em conta a pesquisa da
Popai, é uma forma muito mais eficiente de consolidar as intenções de
compra.
Perfume
inesquecível
Além de
colaborar para o aumento das vendas, explorar o olfato, a audição, o
paladar, e o tato pode ser uma forma de diferenciar e criar identidade
própria par o seu negócio. É na busca de uma fragrância que faça seus
clientes lembrarem da loja, mesmo quando estiverem longe dela, que se
concentra Jane Antoniassi Fernandes, gerente da Peccato, loja de roupas
íntimas em Osasco (SP). Há três meses Jane testa fragrâncias que se
identifiquem com o perfil do estabelecimento. "Estou procurando uma
essência que tenha o cheirinho da Peccato. Ainda não encontrei a
essência exata, mas desde que começamos a testar a aromatização da
nossa loja nossas clientes têm dito que o ambiente ficou mais
aconchegante", conta a gerente. Jane informa que ainda é muito cedo
para saber se essa estratégia vai influenciar um aumento nas vendas.
Mas ela acredita que o aroma pode servir como chamariz para aquelas
pessoas que usualmente não entrariam na loja, elas seriam literalmente
laçadas pelo cheiro. Além do aroma ambiente a Peccato aposta na
distribuição de saches perfumados pelos corredores do shopping onde
está instalada, uma estratégia que mexe com o olfato, o tato e a visão.
"Essas são formas de criar identidade e também de fidelizar nosso
cliente de maneira sutil, mas definitiva", aposta Jane. Instigar o
olfato (e outros sentidos) pode aumentar em até 20% o faturamento do
comércio. É o que afirma Ana Paula Santiago, gerente de marketing da
Biomist Aromasys, empresa que há dois anos comercializa 28 variedades
de fragrâncias e o aparelho difusor para a aromatização de ambientes.
Ana Paula se baseia nos dados da Popai quando fala em elevação no
faturamento e também n a experiência de seus clientes espalhados pelo
Brasil.
Despertando
sensações
Ela explica que o olfato é um sentido muito poderoso e que um aroma
pode ser fixado de maneira definitiva na memória despertando uma série
de sensações. "As fragrâncias são eficientes estratégias de marketing,
pois mexem com as emoções do cliente. O que se tenta fazer quando se
trabalha com aroma é deixar o cliente com uma boa lembrança da loja
sempre que ele sentir o cheiro, onde quer que ele esteja", explica Ana
Paula. Para ela, as fragrâncias despertam valores subjetivos que, no
caso do comércio, estão associados à qualidade, à sofisticação e ao
requinte. Mas não é qualquer cheiro que pode agradar a clientela. Para
adotar o aroma como estratégia de venda é preciso saber para que serve
cada fragrância. Um cheiro fresco e jovial não vai surtir efeito e pode
até afastar clientes se fora dotado numa loja que venda roupas para
mulheres com perfil conservador. Neste caso, o ideal é um aroma que
lembre um perfume tradicional. Também é preciso estar atento para os
funcionários do estabelecimento que são o segundo público-alvo de uma
loja. Deve-se pensar no conforto deles, que vão estar envolvido pela
fragrância durante todo o dia. Cuidado semelhante deve ser observado
quando o sentido audição entra no jogo dos planos de venda. Segundo
Augusto Batalha, sócio da HB&B Audistore Network, empresa
especializada em montar programação de áudio para estabelecimentos
comerciais, se o som não agrada o funcionário a produtividade pode
cair, e a estratégia, ao invés de ser uma aliada, se torna uma inimiga
das vendas. Estimular a audição pode ser uma eficiente maneira para
informar o consumidor das promoções da loja e, assim como o olfato,
imprimir no cliente uma identidade auditiva.
Som
ambiente
Augusto Batalha afirma que o uso de rádios internas ou de programação
previamente gravada é mais eficiente do que a panfletagem, pois o
estímulo sonoro age do momento em que o consumidor recebe a mensagem.
Assim como o cheiro de café pode despertar a vontade de tomar a bebida
ou comprar um produto em um supermercado, a sugestão de oferta que vem
pelas ondas sonoras induz o cliente a consumir aquilo que está sendo
divulgado. "Para certas ofertas a mensagem de áudio funciona como um
catalisador do impulso para a compra", diz Batalha. Através de uma
programação interna o lojista pode associar músicas à imagem da loja e
criar assim uma identificação estreita com o consumidor. Mas para que
isso dê certo é preciso conhecer as preferências musicais do seu
público-alvo, fazendo da música um atrativo a mais. Prestar atenção no
que os clientes gostam de ouvir é de fundamental importância. Portanto,
mesmo que o proprietário de uma loja de surfwear goste de samba, adotar
este estilo como trilha de sua loja pode deixar o cliente sobre a
identidade do negócio. Mas a rádio no ponto-de-venda não serve apenas
para criar um ambiente de compras mais agradável. Ela também pode ser
um poderoso instrumento de comunicação entre a loja e seus clientes.
Foi justamente pensando em aumentar a eficiência da comunicação com o
cliente
Sérgio
Oliveira, gerente de visual merchandising das lojas Riachuelo, optou
pela programação de áudio pré gravada para divulgar as ofertas e
mensagens institucionais da empresa, inserindo músicas entre um
comunicado e outro. "Antes, as ofertas eram anunciadas pelo microfone,
enquanto um CD com músicas variadas tocava o dia inteiro. Isso não era
tão eficiente e deslocava um de nossos funcionários somente para fazer
anúncios. Tivemos melhores resultados quando passamos a controlar as
mensagens pré gravando a programação", conta Oliveira.
Quem quiser
optar pela mensagem sonora deve tomar alguns cuidados, tais como evitar
as rádios comerciais. É preferível ter na loja uma estrutura de rádio
própria ou então fazer a encomenda de programação pré gravada. A
desvantagem das rádios convencionais como alternativa de sonorização
ambiente está em correr o risco em seu estabelecimento o comercial de
um concorrente.
Contato
Peccato Moda Íntima (11) 3681-0562
Biomist (11) 3256-7243
Popai (11) 3284-6878
Sérgio Oliveira (Riachuelo) (11) 6281-2412
Estimule os
sentidos
Tato
O tato pode ser explorado deixando que o cliente perceba diversas
texturas, no caso de tecidos, ou que manipule os produto, como é o caso
de brinquedos e livros. Além disso, a climatização da loja ajuda a
criar um ambiente confortável, que é percebido pelo tato.
Audição
As ondas sonoras são o estímulo da audição, e a música, um poderoso
recurso que mexe com a emoção das pessoas. Para tirar proveito da
audição é preciso saber do que gosta o público alvo da loja e
intercalar música com informações institucionais. Assim como os
cheiros, a música também ajuda na fixação da imagem do estabelecimento
entre os consumidores.
Paladar
A degustação informa ao consumidor o sabor dos produtos, porém o uso do
paladar não precisa se restringir a esta estratégia. Assim como o
olfato, um estímulo químico desencadeia este sentido, que pode ser
associado aos planos de venda de qualquer loja como forma de fidelizar
a clientela. Por exemplo, uma loja que se chame Chocolate, mas que
venda sapatos, pode oferecer aos consumidores barrinhas de chocolate
meio amargo. Quando este tipo de chocolate for degustado em outro
lugar, invariavelmente o cliente vai lembrar da loja que oferece a
iguaria.
Olfato
Para estimular o olfato é preciso uma informação química contida nos
cheiros das mais diversas naturezas. A informação sobre cada cheiro e o
que ele representa fica armazenada na memória e pode desencadear todo
tipo de sensações quando o cheiro é novamente percebido. Estimular o
olfato do cliente através de fragrâncias específicas ajuda a criar uma
identidade diferenciada para a loja.
|